class main AboutMe { exec(); }
Ah, último dia! Apesar do bom tempo, estar de férias longe de casa e dos que mais gostamos também cansa. E começo a pensar no meu regresso, nas minhas saudades, nos e-mails que já devo ter, das centenas de conversas em várias mailings-lists, RSS até nunca mais acabarem... Enfim, uma semana longe da civilização deixa-me um pouco tenso por não saber o que está a acontecer no resto do mundo.
Ao programa do último dia: Mad Max versão 2010 às 9 da manha e jantar de despedida à noite.
9h20: o Samy finalmente aparece com uns mini-vans (todos com mais de 700.000kms), para levar o grupo até ao centro de safari. Uma vez o grupo no local, é feito uma breve introdução à moto 4 e claro, mais uma vez uma sessão de vendas. Desta vez era uns panos para por à volta da cabeça. Este povo tem mesmo o dom do negócio. E preciso mesmo saber regatear para tudo (até com as visitas no médico!).
Uma vez o cu pousado no banco da moto 4, começamos a viagem. Ou melhor a epopeia. Sim, porque uma viagem no deserto com uma moto 4 sem manutenção, com pneus gastos, secos e carecas e um guia que vai sempre a derreter pela areia fora não é por si um sinal positivo. A segunda equipa que supostamente fecha o comboio estava mais preocupada em fazer filmagens para vender depois. Estes dois factores acaba criar situações inevitáveis como:
- avarias por falta de combustível no meio do deserto
- pessoas com dificuldades em seguir a acabarem por ficar perdidas
- avarias por falta (ausência) de manutenção levaram pessoas a ter de passear como passageiro noutras motas
- e claro, a tensão alta por verificarmos jantes apertadas com dois parafusos, cilindros que milagrosamente seguram com 3 porcas, motores cansados, rodas de tamanhos diferentes, pneus carecas, arames a segurarem tubos e fios, motas sem chaves (ligação directa), travões que não travam...



Tirando estes pormenores que apimentaram o passeio, nada tenho a dizer sobre o passear pelo deserto. E semelhante ao navegar no meio do mar, nada no horizonte a não ser areia, dunas e cascalho. O vento quente repleto de areia, fustigava o rosto e os olhos. Mas naquele momento, o sentimento de solidão e quase absoluto. Uma experiência única sem dúvida. No meio da viagem paramos num campo de beduínos, no qual nos foi servido um chá em chávenas ferrugentas. Como já não estava muito confiante do meu estômago, deixei-me estar.
Uma vez de regresso ao hotel, aproveitei o último dia até ao último raio de sol baloiçando entre os escorregas, praia e piscina.
O jantar de despedida foi feito na praia, mais uma vez à imagem do hotel (sem sentido). Por isso, não há muito a comentar tirando o facto de não ter comido quase nada devido ao meu aparelho digestivo. Tive de regressar ao quarto, no qual estou há duas horas, com idas sucessivas à casa de banho. Nunca me senti tão mal em qualquer viagem. É a aflição total. Só espero conseguir controlar qualquer crise amanha...





E depois de tantos dias de bem-bom, sol, descobertas, fotografias e momentos, está na hora de arrumar tudo e começar a viagem de regresso. Espero que tenham tido tanto prazer a ler estes textos, como tive o prazer em escreve-los. Espero igualmente que ao longo destas linhas puderam entender um pouco mais sobre o Egipto e que talvez tenham tido alguma curiosidade como potenciais turistas. O Egipto é um excelente destino para férias ou para quem tenha prazer em mergulhos nos corais. O povo é muito mais acolhedor do que os Gregos ou outro pais da Europa (tirando Portugal – E não fui eu que o disse). Existe uma verdadeira cultura do turista, somos realmente tratado como réis, como algo de importante para a vida económica do pais e aqui todos o sabem e todos fazem para que as férias sejam boas. E claro, o tempo... 30 graus às 8h30 da manha, com cerca de 40 à tarde e as vezes mais, ajuda em muito.

Peço desculpa a quem estes textos tenha incomodado, mas mais uma vez este recanto é meu. Por isso, o pedido de desculpa não passava de uma forma correcta de vos mandar passear. Muito além das férias, são momentos, detalhes, que, se não forem registados e mesmo partilhados acabarão por serem esquecidos...

Este site voltará à sua actividade normal já-já no próximo texto :-)

Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 22/06/10 21:24

Quinta-feira, 3 de Junho. As férias já estão a terminar. De tal forma que hoje quebrei a promessa de passar uma semana sem tocar na Internet. Férias são férias e desde de Sábado que não descarregava o meu e-mail. Mas hoje foi mais forte. E logo depois do pequeno almoço, lá estava eu a comprar uma mísera meia hora de wifi por 4 euros (sim, quatro....).



Infelizmente (ou não) não consegui estabelecer uma ligação ao meu servidor de e-mail. Aproveitei para por umas fotografias no facebook e pouco mais... Pois meia hora passa num estante.
Como hoje era um dia de repouso absoluto com comprimidos de sol e piscina, repor o sono em dia, fazer o duro trabalho de turista cansado e não fazer nada. Bem foi exactamente o que fiz. E soube bem! Mas rapidamente cansei-me... Não entendo, mas não consigo ficar mais de meia hora sem fazer nada. Por isso, fui andar até a praia, passear pelo enorme complexo, ainda pensei em ir às compras, mas o calor abrasador fez-me regressar à piscina. Quando volto ao nosso ponto de encontro os meus familiares com o famoso moço de Viseu.
Para contextualizar, o moço de Viseu, é o gajo que é de Viseu e encontramos no Hotel aqui em hurghada. Ele, é o exemplo do que em qualquer lado do mundo onde possamos ir acabamos sempre por encontrar um Português ou uma camisola do Benfica (ou da selecção Nacional). E claro, ele foi “O” Português nos confins do mundo. Conhecemos logo no primeiro dia. Ele, a mulher e os dois filhos. Todos acharam muita piada ao casalinho, uns emigrantes em Londres onde procuraram a sorte em terras anglo-saxónicas. Ela trabalha num banco, ele é comercial. Ambos bom aspecto e ela era muito sexy. O símbolo do sucesso Português portanto. Até que, um dia à noite enquanto escrevia um destes textos no loby do Hotel, com um copo de rum egípcio e um cigarro aparece-me o moço de Viseu todo feliz da vida e crava-me um cigarro. Falamos 5 minutos, até que diz-me ele:
- Olha vou ter de ir embora, que tenho alguém à minha espera.
Mal tinha acabado de falar quando aparece-nos pela frente uma Russa, alta, loira, olhos azuis. Apresenta-me brevemente a amiga dele e fogem tão rapidamente como apareceram, abraçados um ao outro. Aí, o casal maravilha já tinha mais do que motivos para ficarem desacreditados.
Hoje então, depois de pouco fazer e nada produzir, regresso então ao nosso ponto de encontro, onde vejo moço de Viseu a conversar com os meus familiares. Foi então que o moço de Viseu passou a ter um nome: Pedro. Era um bom vivant. Gosta de festa, mulheres e sexo. Era tão vaidoso, que em menos de 10 minutos contou-nos a vida toda. Quantas vezes foi infiel, que a mulher sabia, que tinha imensa sorte em ter a mulher dele, mas que se não fosse os filhos já tinha despachado a rapariga. De como era importante para ele a mulher estar ao dispor do seu homem (a todos os níveis obviamente). Contou as histórias do irmão e das infidelidades da mulher, dos amigos. Enfim, perdeu-se nos detalhes e já farto de o ouvir, decidi por um termo à conversa e finalmente despacha-lo.
Foi motivo de conversa até ao jantar. Todos chocados com a forma atrasada de vida pela qual segue a vida dele, acabou por ser mais uma prova que tudo o que aparenta nem sempre é o que é. Graças a ele (e não só) o dia “do não fazer nada” acabou por ser um dia de recolhimento espiritual – E soube-me muito bem. Principalmente porque pensar também é actividade, esta foi saudável e positiva.
Já se avizinha o último dia de férias e o regresso. Mas algo não está bem comigo...
Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 22/06/10 20:25

As férias já estão na sua recta final. Já é quarta-feira! Se estivesse em Lisboa, já começaria a antever o fim de semana. Aqui, ainda penso em quantas horas de praia e bom tempo sobram.
Para aproveitar ao máximo, hoje tive direito à uma viagem de barco até ilhas próximas da costa nas quais, pela primeira vez da minha vida fiz snorkeling! É simplesmente incrível a quantidade de corais e peixinhos exóticos. Só no barco é que soube que o mar vermelho é dos melhores sítios no mundo para fazer mergulho. E confesso que fiquei com vontade de mais... É impressionante o mundo aquático que existe mesmo por há uns meros metros da costa. A diversidade de cores, formas e vida marinha é absolutamente encantadora. Por sorte, fizemos estas iniciações com um local que acabou por explicar muito acerca daquilo que nos víamos.



A almoço foi servido no barco. Posso dizer que foi de longe o melhor almoço de toda a semana, não pela qualidade (a apesar de ser muito bom) mas sim pela envolvente. Consegui arranjar um lugar na proa do barco, com as pernas a baloiçar no vazio enquanto comia o conteúdo do prato tipicamente egípcio enquanto via os corais e os peixes de todas as cores nadarem a poucos metros de mim. Possivelmente o momento mais zen de toda a semana. Foi tão bom, que até esqueci-me de tirar fotografias.





O resto da tarde voou, entre outros mergulhos, saltos de 4 metros do segundo piso do barco e a viagem de regresso, lá estava eu, novamente a jantar.... É incrível como acabamos sempre por estar sempre à mesa. O problema com estes all-inclusive, é que há sempre tanta comida à disposição que o prato fica sempre muito cheio... Desde da viagem a Cuba e à Rhodos aprendi o quanto é necessário controlar a comida – Mas hoje esqueci-me... :-P


Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 22/06/10 20:08

Ontem acabava o dia desconfiando sobre um dia mais ameno. E de facto, não estava enganado de todo. Hoje (1 de Junho), apesar da manha ter estado junto à piscina – o que é sempre algo de muito emocionante. A tarde revelou-se muito, mas muito mais agitada.  
Logo depois do almoço, entramos em grupos de 8/9 pessoas em 4x4 (Land Cruisers), todos eles com peles de bovinos (ovelhas ou cabras) no tablié. Pareciam os azeiteiros da ponte Vasco da gama, mas todos com o mesmo carro versão Mad Max. E era mesmo! Do topo dos seus 20 anos, Khaled, que já não andava num camelo, demonstrava no entanto muita perícia no seu 4x4 tuning.



Começamos a viagem no hotel, passado poucas curvas e rotundas a manada de jeepes fez uma cortada directamente num prédio em construção no qual lá estava uma patrulha de policia para um check point. Entregou ao khaled um papel com o número do carro e dos passageiros que trazia. Depois disso, a escapada pelo deserto Este (existem dois: à esquerda do Nilo que é chamado o deserto Oeste ou deserto Libiano e o da direita que tem por nome deserto Este).
Pelo caminho tivemos a oportunidade de sair do todo o terreno e atravessar uma duna à pé. Por ter descido à correr com mais de 40 graus, fiquei gravemente cheio de sede, felizmente estava uma manada de turistas Italianos, aos quais cravei um copo de Fanta Laranja (nunca imaginei beber Fanta FRESCA no meio do deserto!).





A viagem continuou e acabei por simpatizar com os outros elementos do carro e obviamente com o Khaled que fazia questão de mostrar o seu rádio K7 com uma ligação via rádio a uma Pen USB, com obviamente, música local bem alto. Foi uma experiência estranha ver um puto de 20 anos conduzir a mais de 80kms pelas dunas com música Árabe! Mas depois do piloto de autocarros na viagem para Luxor, os meus reflexos já estavam habituados à condução egípcia.
Quando chegamos ao chamado acampamento de nómadas, a primeira coisa que me marcou foram mesmo as instalações enormes para os turistas. Nitidamente, com arcas frigoríficas, sanitários e claro electricidade, tratava-se de nómadas já muito sedentários e “turistizados”. Não ponho a dúvida a origem étnica das pessoas que nos acolheram, mas é por pouco...



Apesar de tudo, enquanto andávamos de camelo e víamos às peças artesanais à venda, outro grupo encarregou-se de preparar-nos o jantar. Uns grelhados fantástico com carne local e frango na brasa.



A noite terminou bastante cedo, com uma bailarina já com uns extra-quilos a fazer dança do ventre. Não quero ser má língua, mas já vi em Lisboa bailarinas Portuguesas com mais estilo a dançar. Mas valeu o esforço e principalmente os cantos nómadas e toda a festa que proporcionaram.
Penso que apesar de mais uma vez tratar-se de um percurso industrialmente turístico, ir ao deserto é uma das melhores experiência para quem procura a desafios  e paisagens Africanos desérticos deslumbrantes.


Clicar na imagem para ver a fotografia no seu tamanho original (11960px por 1925px ~2Mb)

Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 22/06/10 00:41

Luxor, é a antiga capital do Egipto, bem antes de passar para o Cairo. Daí ter tido um papel muito importante no Egipto antigo. Como por exemplo na forma como eram enterrados os faraós. Toda a gente imagina os túmulos perto das pirâmides. Mas nada disso, é verdade que muitos estão nas pirâmides, mas todos os réis da 18,19 e 20 dinastia estão todos na chamada Valley of the Kings (mapa). E era mesmo isso que ia visitar!
Um dia repleto de coisas por fotografar, momentos, contactos directos com os locais. Enfim, um bom motivo para acordar as 4h15. Pelo menos, foi a hora que o telefone do quarto tocou para acordarmos. Passava meia-hora lá estava eu a tomar o pequeno almoço.
Já passava das 5h20 e o autocarro meteu-se em marcha, a estrada era surpreendentemente boa. Quatro faixas, montes de latas velhas nomeadamente Peugeots 504 Break. Passado meia hora tínhamos entrados no deserto, uma nacional digna da antiga ip5 mas só com duas faixas, uma estrada montanhosa.



Basicamente foi ai questionei se voltaria a regressar para Portugal. Para fazer uma analogia simples, os egípcios não são condutores! Mas sim pilotos. E tem ajuda de Allah para ajuda-los nas curvas. Só para o registo, algo que aconteceu mais do que uma vez, foi fazer ultrapassagens  em curvas sem visibilidade quando de repente surgia um camião/carro/mota do outro lado da faixa de rodagem, sem espaço para 3 veículos ao mesmo tempo. Mas quase ao último momento, os dois veículos que estavam nas extremidades encostam à berma para deixar passar em segurança o autocarro! De cortar o fôlego!



Agora, imaginem isso ao longo do 200kms! O mais curioso, que não presenciamos nenhum acidente.
Uma vez em Luxor, depois de uma breve explicação sobre a história da cidade visitamos o templo de Karnac. Onde gizavam ruínas com mais de 3000 anos de historia. O verdadeiro tesouro do Egipto antigo estava à minha frente, literalmente cozendo por baixo de 40 graus de sol impiedoso para as peles brancas dos Russos e dos outros turistas. Não consigo não pensar no génio daquela civilização, não só para erguer as pirâmides, como qualquer um destes templos. É simplesmente fantástico e mesmo depois dos ataques do império Romano, às cheias do Nilo, muito do antigo templo permanece erguido apesar dos diversos restauros.



Depois do almoço, seguiu-se a travessia do Nilo numa jangada artesanalmente construída. Que antecedeu a visita ao vale dos Reis. Este último é que sem dúvida vale mesmo a pena ser visto. Num único sitio estão situados 62 túmulos conhecidos. Com direito a visita de 3 deles, fomos rapidamente indicados para o túmulo de Ramsés III, V e VIII. E só conseguia dizer uma palavra WOW!


Fonte da imagem - Egypt Holyday - Infelizmente não fui autorizado em tirar fotografias no interior dos túmulos.

Mesmo com a reconstrução dos túmulos para a industria turísticas conseguiram manter a ideia geral dos sítios e mesmo sem os tesouros enterrados, sentimos o imperialismo e o poder dos Reis de então.
Pouco tempo depois desta visita fomos guiados para o templo dedicado ao Ramsés III, um lugar ainda mais sumptuoso, edificado depois da morte do Rei. Repleto de hieróglifos descrevendo o passado do Egipto e da família real, este palácio também é conhecido por Madinat Habu. Lá fiz outro amigo: Marmud Ramsés IV (que tinha 4 mulheres), que me mostrou uns recantos menos apontados pelos guias turísticos a troco de um cigarro Português.



Creio que foi o culminar do dia. Pouco depois estávamos de regresso para o hotel a mais de 280kms e 4 horas de viagens naquela fantástica nacional.
Como previa foi um dia incrível, possivelmente o melhor (até hoje) de todas estas férias. Neste dia descobri como os egípcio são chatos como tudo. Não se pode dar um segundo de trela, caso contrario vem logo com artigos muito mais imitados por um euro, postais, águas já abertas, esculturas falsas etc...
Como digo, é um povo na sua globalidade pobre. E apesar do guia falar em escolaridade gratuita vi muitos miúdos na berma da estrada a tentar vender, trabalhar no campo ou simplesmente brincar. Da mesma forma, como mesmo depois do guia falar em sistema de saúde gratuito, vi imensos dentes estragados... Penso que há um sistema por parte dos guias que contam uma realidade diferente do que realmente existe. Tal como aquele caso dos menos que suplicavam por restos de comida, e que foram simplesmente expulsos pelos adultos da aldeia. Como se tudo fosse encenado para que o turista apenas visse um Egipto mágico, sem os problemas de falta de nutrição, doenças e dificuldades económicas de qualquer pais Africano.



Finalmente, eram 22:10 quando chegamos ao hotel para terminar com um excelente buffet.
Hoje foi um dia em grande, só para terminar alguns números:
  • 2,50 L de agua ingerida,
  • 600 Kms de estrada percorrida pelo deserto, vales do Nilo e montanhas,
  • 10 horas de autocarro,
  • 4 novas palavras árabe no meu dicionário (Salam, Shukran, e duas que já não me lembro)
  • 170 fotografias (só sobram 155) tiradas num dia
  • 45 graus  de temperatura máxima no vale dos reis
  • 3 horas de sono
  • 15 euros gastos com o telemóvel (1 chamada e 4 ou 5 sms)
Amanha promete ser um dia mais calmo... Mas há algo que me diz que nunca posso realmente confiar nestas previsões...

Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 21/06/10 23:40

30 de Maio 2010:
Depois de estupidamente acordar às 7 da manha (5 em Portugal), viro-me duas vezes na cama e volto a adormecer ate ao meio dia. Bem mereço, as duas ultimas noites tinham sido fracas em horas de sono. Precisava mesmo de dormir.
Meio dia, acordo e lentamente desfaço as malas, arrumo tudo no sitio, tomo banho e finalmente vejo-me restrito ao uso da água local. Lavo os dentes com agua mineral acabada de sair do frigorífico.
Saio de casa e tomo um café. O dia começa bem... Finalmente sinto-me totalmente de férias e estou a gostar!
Dou à volta completa ao complexo, passo pela praia, a qual estava com uma maré baixa. E quando digo baixa, deveria dizer vazia. Pois, apesar da baixa variação da altura da agua, como  o areal é muito plano, cerca de meio metro de altura de agua representa como cerca de 100 metros cumprimento de praia. O almoço passa, aprendo umas palavrinhas em árabe – Depois da invasão árabe, os antigos Egípcios  adoptaram um só Deus e uma só língua (ou quase). Daí uma curiosa mistura de fenótipos nos genes egípcios:
  • O escurinho: com origens nítidas em África, com uma pele muito escura mas com traços da África do norte (lábios finos, cabelo liso etc...)
  • O Árabe: esse não esconde a suas origens da península arábica. Muito semelhante aos turcos e outros países do Magrebe.
  • O “faraó”: esse é o egípcio tal e qual como o imaginamos: olhos grandes, nariz bicudo e linear, pele branca e um perfil igualzinho aos faraós que imaginamos. 
Como era o dia de não fazer nada e como sou muito fiel aos meus princípios, foi exactamente o que fiz. Tirando tostar o pernil ao sol, barrar-me com protector solar e dar uns valentes mergulhos na piscina, não fiz mais nada. Passei essencialmente o dia a brincar ao lagarto, ou seja, ficar ao sol sem mexer-me. Aproveitei para fazer uma promessa. OK, uma promessa muito parva e idiota. Mas as promessas são sempre assim. E decidi que durante toda a semana ia tentar resistir em aceder à Internet e principalmente ao meu e-mail. Era uma aposta ariscada, devido à forma sedutora como o router wifi olhava para mim...

Entretanto tive de fazer uma reserva para a actividade do dia seguinte: Passeio até Luxor (280kms). Mas como comigo nada é simples, tinha de fazer a reserva para 4 pessoas, duas das quais iam pagar em Euros e o restante  em Libras Egípcias.  Claro, contas à árabe conseguem envolver imensa confusão. E pelas contas dele, ainda ficava a perder (devido às Libras). Depois de tentar explicar e fazer um bi-pagamento, lá consegui o nosso lugar para o dia seguinte... À partir deste momento comecei a achar que de burro não tem nada, e são todos muitos ratinhos. Fazem-se de idiotas ou pobrinhos para depois conseguirem o que querem. Se não estivesse atento, lá se iam quase 100 libras para o bolso dele.

O dia terminou num restaurante reservado durante o dia. Ao nosso lado, um grupo de 8 Franceses a tentarem fazer a pedido enquanto o empregado tentava comunicar em Inglês. Com alguma boa vontade e pena de ambos, acabei por levantar-me e ajudar o homem a explicar os pratos e realizar o pedido da mesa. Já tinha ganho mais uns amigos, quando o ajudei o empregado a fazer o pedido, mas foi a minha de retribuir quando apesar de termos feito o pedido depois dos Franceses todo o nosso pedido veio em primeiro. Mais uma vez, o sentido da mutua-ajuda prevaleceu a todos os sentidos comerciais, e verdade seja dita fomos servidos como faraós.





E foi a pensar nos faraós que me fui deitar, já era tarde e só ia dormir 3 horas antes de arrancar para Luxor às 5 da manha... O dia ia ser longo...

Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 09/06/10 22:49

29 de Maio 2010:
Depois do primeiro dia desastroso e cansativo, acordo as 6 da manha para conseguir estar novamente em Roissy Charles de Gaulle às 8 da manhã. Com apenas 4 horas de sono, levanto-me e pequenalmoço.

8:00
: já no aeroporto, éramos os primeiros a chegar. Grande desilusão, fizeram-nos acreditar que era tão cedo, pois na verdade o combinado com o grupo era às 8h30... Ao que parece os Portugueses chegam sempre atrasados, logo toca a combinar com eles mais cedo!  Que bela fama que nós temos!
Já a pensar na minha  rica meia hora perdida, espero até as 11:00 para embarcar. Desta vez o dia estava a correr bem. Estava dentro do avião, sentado, com cinto de segurança, a minha pastilha elástica e tudo. Quando, o piloto (um egípcio com um sotaque inglês que parecia o irmão do Muhammad Saeed al-Sahhaf 1 - 2) comunica-nos que devido ao elevado tráfego aéreo, o avião terá de ficar mais 35 minutos na pista ate darem-lhe ordem para descolar - Já estava novamente a ver o filme do dia anterior... Quando, finalmente depois dos 35 minutos anunciados, o avião egípcio descola e passado 4 horas e meia aterra em hurghada.

Aproveitei o voo para confirmar o plano das férias. Convinha dizer que as férias com os meus pais são sempre uma incógnita, tendo em conta que são ferias em grupo e nunca sabemos exactamente nem onde vamos nem o que vamos fazer. Desta vez falaram-me de um cruzeiro no Nilo até ao Cairo. E claro, mais uma vez, nada disso! Íamos passar uma semana num hotel 5 estrelas em hurghada a dourar o papo ao sol Africano! Para quem  queria férias tranquilas isto não podia ser melhor noticia.
Uma vez dentro da alfandega, a confusão é total! Além do nosso voo, estão mais 5! Tudo em menos de meia hora. Toda a gente a tentar passar a alfandega e para ajudar o sistema informático Egípcio estava em baixo – Nota: isso foi o que nos foi dito, porque na verdade, não vi nenhum computador :-P
Depois da grande confusão, finalmente saímos para o autocarro e pela primeira vez senti o calor, o ar e o vento egípcio a acariciar-me o rosto.



No autocarro, já em marcha para o nosso hotel, não consigo deixar de reparar na quantidade impressionante de hotéis, resorts, avenidas enormes, até um McDonald’s! Tudo novo, praticamente por estrear. Aí o guia informa-nos que hurghada é uma cidade tipicamente turística, construída do zero entre o deserto e o mar. Enquanto o guia falava na invasão de turistas do leste principalmente dos Russos, vejo o primeiro dromedário da minha vida!  
O jantar veio, os copos seguiram e acabei o segundo dia deitado no sofá a ouvir música e escrever o que tinha acontecido no primeiro dia. Não me lembro ao certo em que altura adormeci, só sei que finalmente, as férias estavam a começar e que estava a correr tudo muito bem!
Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 08/06/10 22:50

Sexta-feira 28 de Maio: O dia da saída, o início de uma viagem com mais de 11.000Kms estava preste a começar.

Acordo às 10 da manha com uma dores de cabeça brutal. Mal sabia o que  este dia preparava-me. Se soubesse....
Tomo um comprimido para a dor de cabeça, tomo o meu último café, "pequenalmoço" rapidamente em casa, pois a minha boleia para o aeroporto não brinca com o tempo.
Durante o caminho para o aeroporto, o nível de stress já elevado devido aos fantásticos bilhetes electrónicos que são necessários imprimir. Mas para quem não tem impressora em casa, o problema é outro. Apesar de ter impresso em PDF o e-mail de confirmação e enviado para o meu iPod, não fazia ideia de como os hospedeiros de bordo iriam reagir.
Mal chego ao aeroporto, tudo começa mal:
- Ela: Mas olha, qual é o terminal?
- Eu: não sei, deixa ver...
Pego no iPod, verifico o email, e leio: Terminal 2B.
- Eu:  Terminal 2, deve ser a nova extensão da Portela.
Depois da S.  Deixar-me, rapidamente reparei no boarding desk que o meu voo não figurava nos próximos aviões. Pois, o Terminal 2B era o terminal de chegada. Resultado, regresso à rua para apanhar o autocarro que faz a ligação para o terminal 1. Mal chego à rua, vejo o dito cujo já a fechar as portas... Pronto, mais 15 minutos de espera, com vista privilegiada para a segunda circular.
Uma vez dentro do terminal 1, procuro o balcão 47 (para quem não sabe, ainda foi necessário dar umas voltinhas). Chego ao balcão, já com receio de ser rejeitado e enviado para uma fila enorme de gente por não ter impresso o bilhete electrónico. Felizmente, nem tudo correu mal e o rapaz pegou no meu iPod e em menos de 3 segundos emitiu o meu bilhete. Dia de sorte penso eu! Pois... Passado mais de hora e meia nos corredores do aeroporto da Portela a visitar as lojas, matar o tempo e a ouvir musica, aparece-me outra boa noticia: atraso de 2 horas para o voo Easyjet com destino à Paris.



Depois de esperar mais duas horas, finalmente a fila forma-se. Como já sei o quê que a casa gasta, fico-me para os últimos, sem pressa para entrar no autocarro que irá levar-nos para o avião. Mais uma vez, a sorte bateu-me à porta. Uma Francesa, mesmo à minha frente, proveniente do Funchal, com escala em Lisboa tinha conseguido por qualquer milagre entrar na sala de embarque sem ter feito o check-in. Resultado, mais 15 minutos de espera ate regularizar a situação.
Finalmente, dentro do avião, já em velocidade de cruzeiro deu-me daquelas tosses secas, daquelas que pedem agua de imediato. Pois, sorte minha a hospedeira das bebidas estava a passar naquela altura. Peço com educação por uma garrafa de agua:
- Eu: Vous avez de l’eau fraiche s’il vous plait?
- Ela: Oui bien sur!
- Entrega-me a agua, e eu já pronto para abrir e só oiço
- Ela: Ca fait deux euros monsieur.
Fogo, 600 paus para 20cl de agua mineral? Deves estar a gozar... Mas não estava mesmo, lá tive de ser roubado a 10.000 metros de altitude e dar o dinheiro. Por completar o super preço, a hospedeira tinha acabado de vender-me uma agua vittel – marca de agua francesa tipo Luso ou Fastio. E claro, esqueci-me completamente o sabor asqueroso da agua francesa. Apesar de ser cara e horrível, a sede e a tosse passaram. Happy me pensava eu.... Pois... Ainda faltava o resto.
20h30: Chegada a Paris, o avião aterra no Charles de Gaulle! Que enquanto! Bom tempo, rapidamente estava fora do avião para recolher a minha mala. E um grande WOW quando chego às passadeiras, um monitor com a hora prevista de entrega das malas: 20h47. Apenas 10 minutos de espera... Enquanto esperava fiquei igualmente siderado com outro painel com o informação do transito em Paris em tempo real.



Quase tudo a vermelho! Tranquilo pensava eu, o meu pai deve estar lá fora e o homem conhece muito bem a cidade ate achei esta informação desnecessária.
Entretanto, já passava das 21h00 e nada das valises... Ligo ao meu pai para avisar que continuo à espera e para combinar um lugar para o nosso encontro. E ai, tudo o que pensava que sido o pior do dia, acabava por tornar-se o menos pior.
- Ele: desculpa lá, mas com as duas horas de atraso, aproveitei para fazer x,  e estou em Paris, não vou conseguir ir buscar-te. Tens te de safar...

21h15: pego na minha mala, aproveito a informação do transito e evito apanhar um táxi para ir à busca do RER. Como o aeroporto não era dos pequeninos e claro, como o meu dia de sorte assim o dictava, tive de percorrer todo o terminal 2b e 2c à pé (isso, dá mais ou menos 20 minutos).

21h45: estação do RER - comprar bilhete! Problema: só moedas ou “Carte de credit”.  8,5 euros sem opção notas. Como o meu multibanco não era compatível, la tive e pedir ao guichet de informações o que poderia fazer. Cumulo, do cumulo, à minha frente um grupo de italianos, cheios de duvidas. 15 minutos de espera para conseguir comprar um bilhete. Finalmente, tinha o meu bilhete de comboio. O azar voltava a bater-me à porta, estava eu a descer as escadas e vejo o comboio a sair... Apesar de estar outro à espera, o que tinha acabado de sair era um directo Aeroporto – Paris Gare du Nord. Como o outro parava em todos as estações (daquelas com nomes de cidades já infelizmente conhecidas pela alta quantidade de vandalismo), achei por bem esperar pelo próximo comboio directo.

22h20: o comboio arranca e pára logo na estação seguinte: Roissy CDG 2. Na qual entram mais uma pessoas... Ou quase, pois um casalinho tinha acabado de se ver separado pela fechadura automática das portas. Com o medo de ficar sem a mulher, o homem lembra-se de puxar pelo alarme do comboio! Pimba, mais 10 minutos parados na estação. Guardas da estação, motorista, policia etc... Finalmente arranca e sigo finalmente para Paris Gare du Nord.
Já feliz por estar quase a terminar o meu dia, reparo com algum receio nas estações pelas quais passamos sem parar. Todas,  e quando digo todas é mesmo no sentido literal estavam repletas de “jovens” de fato de treino com aquele aspecto típico dos subúrbios de Paris... Não era por nada, mas este sentimento de insegurança fez-me pensar duas vezes... Mais valia sair logo na gare du Nord e apanhar um táxi em vez de mudar duas vezes de estações de metro.

23h01: saio do RER e em vez de deparar-me com uma estação de comboio, estava perante uma selva daqueles jovens,  todos parados a olhar e analisar todos os que por ai transitavam. Praticamente ninguém entrou no comboio, pois, estavam todos aí para outra coisa... Finalmente, saio da estação, entro num táxi e feliz por estar num ambiente mais seguro peço para levar-me para o Boulevard Magenta. Quando, de repente o carro que circulava em marcha lenta simplesmente para, o taxista vira-se para mim e diz:
- Ele: mas a estrada que quer é já esta ai ao fundo desta avenida! Não prefere ir a pé?
- Eu: não não, quero ir de carro, para alem da hora tardia, estou cansado e não quero andar mais.
- Ele: bem, é que estou há imenso tempo a espera por fazer uma corrida de 5 euros.
Parado, em silencio, ainda pensei que o taxista ia expulsar-me do táxi. Quando, de repente, engata primeira e leva-me para o meu destino.

23:13: Finamente em casa...

Janto qualquer coisinha simples, e deixo-me na conversa com os meus familiares e por alguns e-mails em dia até às tantas da manha - adormeço sem dar conta por volta das 2 da manha. O primeiro dia estava assim concluído.

Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 06/06/10 15:45


That's true...
(Obrigado pela foto)

Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 06/06/10 15:31


Sem comentário, seja o primeiro! | Publicado por Ruben Alves @ 06/06/10 15:26

  ÚLTIMO MÊS: Agosto 2011

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FOTOGRAFIA ALEATÓRIA: Unleashed Memories

Unleashed Memories

Ruben... Quem sou? Nascido em Novembro de 1980, Sagitáriano puro e duro com ascendente Aquário. Sou canhoto, adoro arte, computadores, fotografia, redes, programação, design, música. Odeio futebol, bacalhau e injustiça.

Neste momento sou um Jovem de 30 anos, curioso pela vida, curioso por tudo o que mexe, tudo que respira, que faça ruídos. Encanto-me facilmente com uma gota de água a bater no vidro mas não fico impressionado com um Ferrari. Gosto das coisas simples da vida, um olhar, um sorriso, um simples gesto. Adoro amar, como gosto de ser amado. Não troco o meu leitor DVD por uma PlayStation, no entanto trocaria um filme por uma bela fotografia.

Não sou complexo, apenas perplexo... tudo depende do ponto de vista.

[...] Farto de escrever... | pausa II

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No meio de tudo isto, tenho este lugar cibernético. Um recanto pontualmente actualizado, apontado como um blog, mantenho a minha ideia que antes de ter esta pretensão, considero que é antes de mais nada um simples sítio web onde escrevo, descrevo, apresento, coloco perguntas, dúvidas e afirmações. Com os textos, coabitem vários espaços representativos do meu Espaço.

Talvez seja o lugar mais sensato para me conhecer... Ou pelo menos, iniciar-se nesta longa viagem que é o meu Ser...
[...] Farto de escrever..| stop .

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