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Ontem enquanto divagava pelas notícias, os meus olhos caíram em duas notícias que tem exactamente a mesma origem na qual obtém-se duas acções diferentes consoante os países. A origem? Preço do crude (brent):




E quais são as acções tomadas?

- Espanha: "Velocidade máxima de 110 km/h nas auto-estradas espanholas já entrou em vigor"
- Portugal: "Governo prepara plano para combater escalada dos preços dos combustíveis"

A questão dos preços da gasolina é algo sensível e complexo. Difícil de perceber, mas rapidamente entendemos quando no espaço de pouco meses, quando desembolsamos quase 10 euros à mais para abastecer.
Não tenciono explicar nem dissertar sobre o quê que faz subir o preço ou não, já o sabemos.
O que gostava de realçar é que por mais que sejam as comparações, a verdade é que o Touro Espanhol deixou os cojones estendidos no chão e aponta o cúzinho aos mercados e aponta radares nas auto-estradas dos nuestros hermanos.
Sem dúvida que "aceitar" os preços praticados sem sequer querer entender o porquê dos mesmos apenas associando a subida à instabilidade no MENA (Middle East and North Africa) é de facto redutor. Em Espanha, a taxa sobre o combustível é de 50,5 por cento. Uma espécie de fifty-fifty no preço final na bomba. E como ninguém consegue controlar a crise na Líbia, a tensão continua no Egipto (Sim, o meu Egipto tem um P) e no resto dos PEP conjugado com a bipolaridade dos mercado, abordar o preço dos combustíveis com o intuito de  baixar e ou controlar a factura à saída da bomba só pode implicar duas coisas:
  • Baixar os impostos
  • Baixar a margem de lucro das petrolíferas
A primeira opção requer baixar as calças. Pois, se baixar a primeira vez pelo preço aumentar, então nunca mais o governo consegue regressar a por mão nisso.
A segunda opção requer optimismo. Uma vez que o governo não pode fazer nada sobre o preço à saída da bomba antes dos impostos. Um braço de ferro sem fim à vista…. Ou não? Não pois, porque a Espanha pretende mesmo reduzir os custos energéticos (numa tentava de salvar o planeta?) e apresenta uma série de 20 medidas para chegar a este fim. E como baixar o preço da gasolina se não pode baixar os impostos e não consegue forçar as petrolíferas a baixar o preço? Simples: vamos lá limitar a velocidade nas auto-estradas para 110km/h! (só falta esperar que o preço duplique outra vez para limitar para 80km/h...)
 
Seguindo o texto da SIC Notícias podemos ler:
"Este limite faz parte de um conjunto de 20 medidas de redução energética que o Governo espanhol aprovou na sexta-feira e é um dos principais desígnios para ajudar a reduzir o consumo de combustível. "

A ideia é que o governo Espanhol pretende gastar menos dinheiro na gasolina, quando … O próprio ganha com ele! Hum… Reduzir nas despesas implica reduzir nas receitas? Não...

Pois, porque a parte mais interessante é que hoje em dia os maiores consumidores de combustíveis em auto-estradas são claramente os Espanhóis comuns, por outras palavras o consumidor final. É preciso ver que os carros modernos gastam muito menos do que os de antigamente e são feitos para serem económicos. Logo a 120 por hora, um TDI ou HDI ou estes novos carros a gasolina são de facto económicos.
O limite de 120 não implica andar SEMPRE a 120, quer dizer que o limite é este. Ao contrário, os camiões, autocarros e semi-reboques que por sua vez estão limitados a 100 e à saída da fábrica não passam dos 100km/h. E eles, gastam MUITO mais por quilómetro. No entanto, eles não foram afectados. Podem continuar a andar a 100 sem problemas. Paralelamente a isto, as multas também foram agravadas de 30%. Ou seja, quem tiver o azar de conduzir  entre os 110 e os 140 paga logo uma coima 100 euros. Ao seja andar a 118km/h, (o que era legal a semana passada) passou agora a custar 100 euros.

Ganho energético? Talvez nem seja por aí. Poupar combustível por quilómetro hora é uma ideia que faz sentido. Um automóvel gasta muito mais a 180 do a 110. No entanto, a diferença entre os 120 e os 110 não será assim tão óbvia. O que é certo, é que trata-se de uma diferença mais nítida em longas viagens. A 110km/h em 500km de viagem precisa-se de mais tempo para chegar ao destino do que se andasse a 120km/h - Ao seja, pode-se consumir menos no mesmo período de tempo, mas acaba-se por voltar a gastar pelo tempo extra que se conduz. E a estas velocidades, a poupança é ridícula. Além de ridícula nem é o Estado Espanhol que a faz, mas sim o contribuinte.

Além da nítida caça à multa revoltante (pois, aqui vamos…) que por sinal até poderia passar muito bem em Portugal, visto que agora passamos a ser um país de activistas de teclado, no entanto em Espanha a história é outra. Pois bem, a Espanha para quem não sabe é a rainha das manifestações, o supra-sumo do "não gosto então vou à rua". Claro, o povo não se deixa calcar.

Deixo aqui uma reflexão da Yolanda Gómez do abs.es, que não poderia estar mais certa:
"Pero, que no se equivoquen los señores políticos. Me parece estupendo que se apliquen todas las medidas de ahorro público que puedan. Apaguen las luces de los edificios públicos; reduzcan los coches oficiales; ajusten las calefacciones y los aires acondicionados, pero no nos impongan a los ciudadanos tantos límites y prohibiciones. No es necesario y encima nos cabrea. El ciudadano de a pie, el padre y la madre de familia, tiene un presupuesto y, a diferencia de las administraciones públicas, se ajusta a él. Si el precio de la luz está por las nubes, como está, ya nos encargaremos nosotros de no dejar luces encendidas, de apagar los aparatos eléctricos, o de ahorrar energía como podamos. Y si el gasóil y la gasolina suben y tenemos un presupuesto para estos menesteres, ya dejaremos el coche en casa e iremos en tren, en metro, o en autobús, o reduciremos la velocidad. Disminuirá el consumo, no se preocupe señor Sebastián, pero no porque ustedes nos obliguen a consumir menos, sino porque ya somos mayorcitos y como dice la ley del mercado, si suben los precios, baja el consumo."

-> http://www.abc.es/blogs/economia-basica/public/post/el-empleo-eso-es-lo-que-importa-8212.asp

Outro comentário, agora do Jornal El Imparcial sobre a questão dos quilómetros:
"Pero, ¿cuánto se puede ahorrar con esta medida? Los cálculos no han faltado. El diario La Voz de Galicia realizó el experimento: un redactor viajó desde La Coruña hasta Madrid, lo que suponen 569 kilómetros. A 110 km/h recorrió esta distancia en cinco horas y 45 minutos, mientras que a 120 km/h tardó cuatro horas y 36 minutos. En el recorrido ahorró 1,88 euros y un litro y medio de gasolina. Por su parte, El Norte de Castilla hizo un viaje de Valladolid a Segovia, de un total de 105,2 km/h. A la velocidad máxima de 110 km/h tardaron ocho minutos más. En total ahorraron 0,82 euros."

- http://www.elimparcial.es/a-110-km-no-ahorraremos-lo-que-dice-el-gobierno-pero-las-multas-creceran-un-30-79998.html

Regressando ao nosso burgo, acontece o contrário. Uma acção mais do que esperada. Simplesmente acordaram pá vida e disseram: "é pá, temos de ver qual é o problema da gasolina, é que isto está a ficar complicado".

Agora, regressem lá umas linhas acima, nas quais resumo as duas hipóteses para baixar o preço da gasolina. E como por cá, o dilema é o mesmo, o nosso governo decidiu tomar 2 (sim duas!) medidas só para acalmar o povo. Prometem deduções fiscais no IRC (mas o preço na bomba mantém-se) e claro (passo a citar a SIC Notícias):
"O Governo vai mesmo avançar com a regulamentação da lei de bases do sector petrolífero para um controlo mais apertado do preço dos combustíveis à saída das refinarias."

Ou seja, por mais que a APETRO clama que "não há cartelização dos preços", que o mercado dos produtos derivados do petróleo é claro e que não há trafulhice, finalmente o governo tem sérias dúvidas (sim, porque até agora 58% do preço na bomba ia para o cofre do Estado - ou seja era uma dúvida conveniente) e vai começar a investigar. Bom, até poderia ser uma uma boa notícia! Talvez das poucas esta semana… Sim e não!
Para explicar esta ideia gostaria de fazer algumas comparações sobre o preço médio da Gasolina em Portugal e Espanha (8 de Março 2011).
As a taxa de impostos que utilizei são referente ao mês de Janeiro (fonte: SOL):

PT - Gasolina 95: 1.57 euros -> 58% de impostos= 0,910 | Preço sem taxas: 0,659
ES - Gasolina 95: 1.32 euros -> 50,5% de impostos= 0,666  | Preço sem taxas: 0,653

fontes:
- http://www.maisgasolina.com/estatisticas/


- http://www.gasofa.es/


Porque o preço da gasolina em Portugal sem impostos é praticamente a mesma do que em Espanha. Isso quer dizer que simplesmente Portugal vai tentar baixar o preço do lado das produtoras. Por outras palavras, nada vai mudar. O que por sinal, isso também era previsível.

Conclusão: Seja em Espanha ou em Portugal, o Estado goza mesmo com todos. Mas com medidas diferentes sobre o mesmo problema… Gostava de chegar a outras conclusões, por isso peço-vos a quem tiver a coragem de ler tudo e que claro saiba mais do assunto que consiga mostrar-me o quanto estou errado (e acreditem que gostava mesmo).

Mais leituras?
- Espanhóis chocados com aumento do preço dos combustíveis para 1,31 euros por litro
- Crises. Tudo somado, há 70% de lares portugueses em risco

E agora, porque as petrolíferas não são anjinhos:
- Porque é que a margem das petrolíferas na gasolina é maior agora que em 2008?
- Galp regista lucros de 840 mil €/dia
- Gasolina podia ser mais barata em Portugal do que em Espanha

1 comentário | Publicado por Ruben Alves @ 09/03/11 00:30

Vitor Pereira@ 2011-03-09 (17:18:25)
Ufa! Vou ter que ler isto mais umas vezes :)
Escrever um comentário ao texto: "Eu, nós, os governos e o preço da gota.pt/es"
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Neste momento sou um Jovem de 30 anos, curioso pela vida, curioso por tudo o que mexe, tudo que respira, que faça ruídos. Encanto-me facilmente com uma gota de água a bater no vidro mas não fico impressionado com um Ferrari. Gosto das coisas simples da vida, um olhar, um sorriso, um simples gesto. Adoro amar, como gosto de ser amado. Não troco o meu leitor DVD por uma PlayStation, no entanto trocaria um filme por uma bela fotografia.

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